Frutooligossacarídeos (FOS) – O combustível das bactérias benéficas

Frutooligossacarídeos (FOS) – Os frutooligossacarídeos (FOS) são oligossacarídeos de ocorrência natural em, principalmente, produtos de origem vegetal e muito utilizado na industria alimentícia.

FOS é o nome comum dado a oligômeros de frutose que são compostos de 1-kestose (GF2), nistose (GF3) e frutofuranosil nistose (GF4) , em que as unidades de frutosil (F) são ligadas na posição beta- 2,1 da sacarose. Os FOS podem ser produzidos por dois processos, onde o grau de polimerização desses FOS varia entre 1 e 7 unidades de frutosil:
O primeiro processo se dá por hidrólise enzimática de inulina – Este processo ocorre amplamente na natureza, e esses oligossacarídeos podem ser encontrados em uma grande variedade de plantas (mais de 36 mil), mas principalmente em alcachofras, aspargos, beterraba, chicória, banana, alho, cebola, trigo, tomate. Também podem ser encontrados no mel, açúcar mascavo, em tubérculos, como o yacon, e em bulbos, como os de lírios vermelhos.
O segundo processo ocorre por reação enzimática de transfrutosilação em resíduos de sacarose, e consiste tanto de cadeias lineares como de cadeias ramificadas de oligossacarídeos, com grau de polimerização variando entre 1 e 5 unidades de frutosil. Este dois processos são utilizados na industria alimentícia.

Propriedades dos frutooligossacarídeos (FOS)

Como prebióticos, a incorporação de FOS na dieta ou uma suplementação intensificam a viabilidade e adesão de bactérias benéficas (Acidophillus, Bifidus e Faecium) no trato gastrointestinal, mudando a composição de sua microbiota. Ao mesmo tempo, bactérias patogênicas incluindo Escherichia coli, Clostridium perfringens e outras têm sido inibidas. Os FOS possuem características específicas na prevenção de cáries dentárias, redução nos níveis séricos de colesterol total e lipídeos, além de atuarem como estimulantes do crescimento de bifidobactérias no trato digestivo.

A ingestão de FOS, em doses de 12,5g dia-1 por 3 dias (doses clinicamente toleradas), produz efeitos significativos de queda na contagem das bactérias anaeróbicas totais nas fezes, queda de pH, atividade de nitroredutases, azoredutases e beta glucoronidases, queda nas concentrações de bile ácida e esterol neutro, ou seja, leva ao aumento da colonização de bifidobactérias.

Referências:

Gibson, G.R. et al. Selective stimulation of bifidobacteria in the human colon by oligofructose and inulin. Gastroenterology, Cambridge, v.108, n.4, p. 975 – 982, 1995.

Izzo, M.; Niness, K.R. Formulating nutrition bars with inulin and oligofructose. Cereal Foods World, Malvern, v.46, n.3, p.102–106, 2001.

Passos LML, Park YK. Frutooligossacarídeos: implicações na saúde humana e utilização em alimentos. Ciência Rural, Santa Maria, v.33, n.2, p385-390, 2003 [on line]