Métodos de avaliação da obesidade

A obesidade é o excesso de tecido adiposo no organismo, sendo considerada uma doença crônica que tem forte relação de causa e efeito com outras doenças como as doenças cardiovasculares, osteomusculares e neoplásicas.

As estimativas de obesidade para detectar riscos à saúde são mais frequentemente reportadas pelo índice de massa corporal – IMC (veja quadro abaixo). Entretanto, é conhecido que a obesidade central, definida como a concentração de gordura na região abdominal, apresenta uma maior correlação com as doenças e perda da saúde. O Brasil, por ser um país continental, com múltiplas etnias e peculiaridades regionais apresenta diferentes padrões constitucionais e aspectos de obesidade, dificultando a criação de um padrão único de avaliação para a saúde e obesidade.

Por exemplo, os valores médios de Relação cintura–estatura (RCE) observados em Florianópolis foram inferiores (homens:0,51; mulheres: 0,50) aos escores médios dos estudos realizados com adultos de Salvador (homens:o,51; mulheres:o,53), dos Estados Unidos (homens: 0,57; mulheres: 0,56), Iraque (homens: 0,53; mulheres: 0,58), México (homens: 0,58; mulheres: 0,66) e Espanha (homens: 0,57; mulheres: 0,61).

Na obesidade podemos avaliar a gordura total e a gordura de distribuição central, que tem relação direta com as Doenças Cardiovasculares (DCV) e Diabetes Mellitus (DM) tipo II.

Índice de massa corporal (IMC) e risco de doença (Organização Mundial de Saúde)
IMC (Kg/cm2) Classificação Grau da obesidade Risco da doença
<18,5 Magreza 0 Elevado
18,5 – 24,9 Normal 0 Normal
25,0 – 29,9 Sobrepeso 0 Pouco elevado
30,0 – 34,9 Obesidade I Elevado
35,0 – 39,9 Obesidade II Muito elevado
> 40,0 Obesidade grave III Muitíssimo elevado

E como avaliar então?

Circunferência abdominal

Circunferência abdominal acima de 80cm para mulheres e 94cm para homens já caracteriza risco aumentado. Acima de 88cm para mulheres e 102cm para homens caracteriza risco muito aumentado. Pode-se facilmente realizar essa medida com o auxílio de uma fita métrica posicionada na altura do umbigo, com o abdome relaxado e durante a expiração.

Relação cintura–estatura (RCE)

Dentre os indicadores da obesidade central, a razão cintura-estatura (RCE) tem se mostrado mais sensível para a predição de riscos
à saúde do que o perímetro da cintura. O RCE é um índice que ajusta o perímetro da cintura (discriminador de obesidade central) pela estatura, e assim minimiza a avaliação errônea de risco à saúde em adultos com diferentes estaturas. Estudos têm demonstrado maior sensibilidade desse índice em discriminar a obesidade entre os sexos, diferentes grupos etários e etnias.

Relação cintura–quadril (RCQ) – que indica a obesidade central, que é a gordura mais prejudicial e a mais usada para fornecer informações da relação com as doenças citadas; RCQ = medida da cintura / medida do quadril. A OMS considera a RCQ um dos critérios para caracterizar a síndrome metabólica, com valores de corte de 0,90 para homens e 0,85 para mulheres.

Relação com a idade:
Existe um acúmulo de gordura corporal com o avanço da idade caracteriza-se como um processo comum ao envelhecimento, inerente a diferentes componentes como a adoção de comportamentos sedentários, prática de atividades físicas moderadas a vigorosa em nível insuficiente e a ingestão de alimentos hipercalóricos, bem como outros aspectos fisiológicos, como a redução do metabolismo e alterações hormonais que podem contribuir para o aumento dos níveis de adiposidade corporal. Mesmo nos idosos a prevalência maior de obesidade é entre as mulheres e seu maior pico ocorre entre 45 e 64 anos em ambos os sexos.

Referências
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